quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Mágoa!

Poderia facilmente falar das trapalhadas de Antonio Lopes na escalação e substituições da partida desta quarta (16), contra o Vasco. Poderia, também, criticar individualmente jogadores sem a mínima condição técnica de usar a camisa rubro-negra. A zaga que não presta, os laterais que não apoiam e são horríveis na marcação. Poderia falar horas a fio da insignificância deste ‘bando’ que se traveste de time. Mas isso tudo é o de menos.

Não sou mais atleticano do que qualquer torcedor rubro-negro e jamais tive pretensão de ser. Mas já sofri muito, talvez por ser mais velho do que a maioria dos leitores. Lembro com clareza dos tempos de pobreza, quando rifas eram vendidas para consertar o ônibus dos jogadores ou para pagar as contas de luz e água. Lembro com vergonha quando jogávamos com o uniforme desbotado, contra nossos rivais outrora poderosos. Lembro do Roldão, do Sarandi, do Caçula e do Biluca. Enfim, lembro dos tempos em que o POVÃO ATLETICANO andava de cabeça baixa e olhando para o chão.

Talvez o bálsamo para as feridas do passado sempre tenha sido o enorme orgulho de ser atleticano, fazer parte de um ideal, algo muito maior do que uma simples paixão por um time. Ao assistir a horrível apresentação contra o Vasco, não me ative ao futebol, e sim, ao modo como cada um sente o civismo atleticano. Perdemos o orgulho e não temos mais alma. A mística e mítica Baixada já não mais me arrepia.

Sempre tive por costume invocar nossos heróis do passado que tombaram durante a batalha em situações de desespero. Eles já não me respondem.

Nos transformamos em zumbis sem alma nem ideal, sem respeitar aos grandes que já nos deixaram. Devo a meu Pai, que já se foi, o fato de ser atleticano. Dele quero o aval para não mais sofrer: ¨Querido papai, este não é mais o nosso Atlético, esse não é mais o nosso povo¨.

A Baixada que pulsava, hoje agoniza inerte defronte a rua Buenos Aires.

Mauro Singer - www.jornale.com.br

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